Colunistas

Vale a pena, sempre

Apressei o passo para chegar antes das 9 horas no ponto de ônibus ao lado da pista de skate da Praça Siegfried Heuser. De longe, avistei um grupo com chapéus, garrafinhas d’água nas mãos e muito animado. Falavam de tudo um pouco, dos filhos, da casa e do tempo, às vezes com algumas frases em alemão. Todos tínhamos o mesmo destino: Rincão Del Rey, ou simplesmente a Expoagro Afubra.

Depois de alguns anos sem visitar a feira que acompanhei por muito tempo quando cobria a editoria de Rural aqui na Gazeta, voltei ao parque nessa quinta-feira, 27, pela manhã. Para quem nasceu no interior e passou os primeiros anos de vida acompanhando a rotina rural, vivenciar um evento deste tipo é uma experiência em todos os sentidos. Lá, relembrei dos tratores que via meu pai usando nas lavouras de arroz, encontrei plantas que eram comuns na casa dos meus avós, senti cheiro de alimentos preparados em agroindústrias familiares, mas acima de tudo vi gente que sabe da importância de valorizar o que vem da terra.

Tinha os que foram por curiosidade, porque são essencialmente urbanos. Mas na maioria, eram homens e mulheres, muitos deles jovens, que deixaram as lidas da propriedade por algumas horas para conferir as novidades. Em um estande, tinha até um cachorro robô que virou atração. Se de um lado o agricultor está cada vez mais consciente do seu papel, a indústria também sabe que precisa atender esse mercado de cifras impressionantes.

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É um universo que por muito tempo foi colocado em segundo plano por uma geração que insistiu em valorizar apenas o modo de vida urbano. Esqueceram que aqueles cidadãos que acordam cedo, pisam na terra, tratam os bichos e mexem com plantas, foram os responsáveis diretos ou indiretos pelo alimento do dia a dia. Devemos sempre reconhecer o protagonismo deste setor que tem uma força impressionante, mas que ao mesmo tempo está tão vulnerável ao sol, chuva e vento, sem contar com as questões políticas e econômicas capazes de tirar o sono de qualquer um.

A Expoagro Afubra termina hoje e com certeza sairão números impressionantes. São dados que vão ajudar a dar a dimensão do que representa esta feira que se consolidou e segue como uma referência para todos os públicos. Quanta gente descobriu ali o caminho para prosperar no agro? Quantas famílias entenderam a importância de planejar os investimentos e pensar no futuro? Quantos encontraram a semente da planta que enfeita o jardim? Ou apenas, quantas pessoas tiveram a oportunidade de entender que em meio à tranquilidade da vida rural a vida pulsa com uma energia incomparável? E quantos puderam provar um pão ou cuca acompanhados de doce de leite, chimia, queijo e salame colonial, ou apenas adquirir uma peça feita por artesãos do campo? É uma feira voltada para a agricultura familiar, mas que merece ser vista por todos.

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Dejair Machado de Oliveira é natural de Cachoeira do Sul (RS), onde iniciou a carreira jornalística em 2000, no Jornal O Correio, atuando nas editorias de geral, rural e política. Entre 2003 e 2005 respondeu pela edição geral do Jornal de Candelária, em Candelária, até transferir-se para a Gazeta do Sul onde teve passagem pelas editorias de geral, agronegócio, economia e política. Por cerca de uma década dedicou-se à produção e edição de conteúdo para os cadernos especiais da Gazeta do Sul atendendo clientes de segmentos como comércio, indústria e prestação de serviços. Atualmente, é editor-executivo da Gazeta do Sul, encarregado de projetos estratégicos na empresa, gestão de equipes e edição do jornal impresso diário. Além da carreira jornalística, é advogado inscrito na OAB/RS sob o número 127.203 e exerce a profissão em escritório atendendo casos na área Cível, Família, Imobiliária e Empresarial. É membro da Comissão Especial de Proteção de Dados e Privacidade da subseção da OAB de Santa Cruz do Sul, com trabalhos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados.

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