O filho de dona Ivone Bachi, Adenor Leonardo Bachi, popularmente conhecido como “Tite”, não conseguiu dormir da noite de domingo, 6, para a segunda-feira, 7. E motivos não faltam para a insônia ter batido à porta do marido da Rosmari Rizzi Bachi. Foi o dia de anunciar os 26 jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo do Catar pela Seleção Brasileira de Futebol masculino.
Para os entendedores do futebol, poucas foram as surpresas. Quem acompanha o estilo do treinador, sobretudo na forma como vinha fazendo amistosos e disputando competições como a Copa América e a Eliminatórias da Copa, poderia até apostar nos nomes que seriam apresentados. É simples! Lá estão os que apresentam melhores condições físicas e obediência tática, salvo algum caso específico, como Daniel Alves, que pode gerar um certo burburinho entre os 211 milhões de técnicos que temos no País.
Para quem assiste, torce, comenta na mesa de bar ou entre os familiares da sala de casa, a sensação é de que é possível sonhar com o hexa, mas futebol só é definido com o apito final do árbitro. Haja vista a Copa de 1998, quando o Brasil minguou diante do adversário, resultado físico de uma convulsão do jovem Ronaldo Nazário, o “Fenômeno”, e psicológico dos demais, que sabiam do que havia acontecido e não podiam falar.
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Os bastidores contam muito mais do que está entre as quatro linhas ou o que aparece nas transmissões da televisão. Assim, quando Adenor faz a escolha e não consegue dormir é porque conhece, de fato, a realidade de quem joga futebol. Sabe que a lista para a Seleção não significa apenas milhares de reais entrando no bolso ou na cotação do atleta. É a realização de um sonho.
Há meninos que saíram das comunidades pobres do Brasil, gurizada que jogava descalça em “campo” de terra em times com e sem camisa para diferenciar. São histórias de pessoas que deixaram as famílias, abandonaram amigos, para poder garantir a preparação e concorrer em um mundo desleal, em que o detalhe pode fazer toda a diferença. É claro que, hoje, nenhum deles vive essa realidade, muitos até ajudam garotos e garotas como eles, que não têm condições financeiras de garantir bons estudos e estrutura técnica. Mas isso não diminui o quanto lutaram, nem o que tiveram de abrir mão para chegar, lá!
Com essa sensibilidade, e na obrigação de definir 26 entre milhares, Adenor optou por muitos, quase todos, que estão atuando no exterior. Mostra que o País do Futebol é como nosso agronegócio. Produz como poucos, mas vende em commodity, não agregando valor. Entre os futebolistas, a desigualdade de estrutura faz com que nossos pequenos craques virem grandes craques fora daqui.
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Indiferentemente de onde estejam brilhando nossas estrelas, por certo serão adorno para as cores da torcida, que repercutirá no nacionalismo, não de forma pejorativa, deixando o clima mais ameno, permitindo que a união desse povo, que sempre foi forte junto, reine e que seja formada uma onda de verde-amarelo capaz de superar quaisquer diferenças.
Que a rainha bola, os dribles, o futebol arte, a vontade de ganhar, possam servir de inspiração para momentos de paz, gritos de gol entre os que pensam diferente e a conquista do hexa; que possa valer o sono perdido do Adenor e todo o empenho dos nossos meninos, hoje homens reconhecidos como heróis, da pátria que veste chuteiras.
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