Profissionais se reuniram com vereador Leonel Garibaldi na Câmara na última semana
Funcionárias de uma empresa que presta serviços para escolas estaduais do Vale do Rio Pardo alegam estar com salários e benefícios atrasados. Em alguns casos, as pendências se arrastam há meses. O caso foi levado na última semana à Câmara de Vereadores.
A empresa em questão é a Andolini Gestão de Recursos Humanos Ltda., contratada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em janeiro deste ano, com dispensa de licitação, para fornecimento de merendeiras. O contrato, que tinha duração de seis meses, foi renovado em setembro até 31 de dezembro, ao valor de R$ 47,1 mil mensais. As informações constam no Diário Oficial do Estado.
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Uma das funcionárias ouvidas pela Gazeta do Sul, Angela Beatriz Gomes, de 43 anos, que começou a trabalhar no dia 18 de fevereiro em uma escola de Santa Cruz, disse que os pagamentos sempre foram irregulares. A empresa, porém, encerrou novembro sem depositar o salário do mês. “Eles sempre atrasaram o nosso pagamento, mas geralmente entrava até o dia 15. Dessa vez, não entrou. Nesta semana já deveria sair o próximo salário, mas o anterior ainda não foi pago”, afirmou. Até o fim da tarde dessa segunda-feira, a situação ainda não havia sido regularizada.
Conforme Angela, a empresa, que tem sede em Porto Alegre, foi procurada inúmeras vezes pelas funcionárias e costumava prometer que os pagamentos seriam regularizados, mas os prazos jamais foram cumpridos. A alegação era de que o Estado estaria atrasando os repasses previstos no contrato. “É uma situação grave, e a gente não sabe realmente o que está acontecendo. A gente precisa dos pagamentos, temos contas para pagar. Estávamos acostumadas com os atrasos, mas agora é demais”, alegou.
Outra funcionária ouvida, que preferiu não se identificar, trabalhou entre fevereiro e início de novembro em uma escola do interior de Venâncio Aires, quando foi desligada da empresa. Até agora, porém, além de não ter recebido o pagamento referente ao mês anterior, incluindo o auxílio-transporte e auxílio-alimentação, também não foram pagas as verbas rescisórias. “Entrei em contato com dezenas de pessoas e eles só prometem que vão pagar amanhã ou depois de amanhã, mas não pagam”, disse. Segundo ela, o descaso vem impondo sérias dificuldades às profissionais. “Eu tenho outro emprego, mas tem gente que já está passando necessidade”, ressaltou.
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Ao todo, 13 pessoas atuam como merendeiras em escolas de Santa Cruz, Venâncio, Boqueirão do Leão e Rio Pardo a partir do contrato com a Andolini. A terceirização é adotada em educandários onde há dificuldades de alocar servidores contratados. Procurada ontem à tarde, a 6ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) confirmou ter recebido as queixas das funcionárias quanto aos atrasos nos pagamentos e alegou que todas as situações são encaminhadas à Seduc. Alegou ainda que as profissionais vêm prestando serviço com assiduidade e qualidade.
A Andolini tem sede no Bairro Independência, em Porto Alegre, e também fornece profissionais para atuar em escolas das demais regiões mediante outros contratos com a Secretaria Estadual de Educação. Conforme o portal Licitacon, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), a empresa ainda possui contratos com as prefeituras de Gramado e de Palmares do Sul.
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A Gazeta do Sul conseguiu entrar em contato ao meio-dia dessa segunda-feira, 5, via WhatsApp, com uma funcionária da empresa, que pediu que os questionamentos fossem encaminhados por e-mail. Até o fechamento da edição, no entanto, não houve retorno. A reportagem tentou contato ainda por meio do telefone que consta no cadastro da empresa na Receita Federal, mas uma mensagem acusou número inexistente.
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Também questionada, a Seduc alegou que os repasses não estão ocorrendo porque a empresa “não apresentou toda a documentação de faturamento”. “A empresa já foi notificada pelo atraso no pagamento de salários e benefícios conforme cláusula de contrato nos meses de setembro e outubro e a Seduc também irá notificar pelo atraso na entrega da folha ponto do mês de novembro”, diz o texto.
O órgão afirmou que a Andolini poderá ser multada ou entrar no cadastro de fornecedores impedidos de licitar e contratar com a administração pública estadual, caso a regularização não ocorra “em tempo hábil.”
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No fim da semana passada, o caso foi levado ao gabinete do vereador Leonel Garibaldi (Novo), que se reuniu com algumas funcionárias. Procurado, Garibaldi afirmou que a situação é “extremamente preocupante”. Segundo relatos levados ao parlamentar, algumas funcionárias chegam a acumular seis meses de atrasos no pagamento de adicional de insalubridade. “É inadmissível, seja na esfera pública ou na esfera privada, esse tipo de situação”, criticou.
Segundo ele, durante a reunião foi acertado que seria juntada mais documentação para levar o problema à Justiça. A ideia é acionar tanto a empresa quanto o Estado. “Tudo indica que existe má-fé da empresa, mas a responsabilidade, em um caso como esse, é solidária”, disse.
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