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Resiliência climática

*Por Anderson Kilpp, auditor público externo

No último mês de maio, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) informou que mais da metade dos manguezais do mundo estão em risco de colapso. A WWF estima que as populações de espécies selvagens diminuíram cerca de 69% desde 1970. A degradação dos solos globalmente aumenta as emissões de gases de efeito estufa e a perda de biodiversidade. Desde o século 19, dois terços do carbono dos solos e biomassa foram perdidos. Nossos biomas Pampa e Mata Atlântica são os maiores armazenadores de carbono por hectare, superando a Amazônia, mas continuam ameaçados pelo uso insustentável. Florestas, rios e mares também sofrem com os impactos da atividade humana, prejudicando funções vitais para o planeta.

Diante desses desafios, o interesse recente pelas Soluções Baseadas na Natureza (SBN) é fundamental. A Comissão Europeia define essas soluções como intervenções inspiradas e sustentadas pela natureza, que são custo-efetivas, oferecem benefícios ambientais, sociais e econômicos, e ajudam a aumentar a resiliência climática das comunidades. Tais soluções introduzem mais elementos naturais e processos ecológicos em ambientes urbanos, rurais e aquáticos, por meio de intervenções adaptadas à realidade local.

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A implementação das SBNs se expressa em diversos exemplos. Infraestruturas verdes urbanas, como parques, jardins comunitários, telhados e paredes verdes, melhoram a qualidade do ar, regulam a temperatura, aumentam a biodiversidade e oferecem espaços de lazer. Projetos de restauração de ecossistemas, como florestas, manguezais, pântanos e recifes de corais, são cruciais para nos proteger de inundações, melhorar a qualidade da água, sequestrar carbono e suportar a biodiversidade.

Na agricultura, práticas sustentáveis como agrofloresta, agricultura regenerativa e permacultura imitam processos naturais, promovendo a saúde do solo, a produtividade agrícola e a resiliência climática. Sistemas de gestão de águas pluviais, como jardins de chuva, bacias de retenção e zonas úmidas naturais ou artificiais são eficazes na prevenção de inundações e na melhoria da qualidade da água. A proteção costeira natural, com dunas de areia, recifes artificiais e vegetação costeira, protege contra erosão e tempestades, mantendo a biodiversidade marinha.

A criação de corredores ecológicos conectando habitats naturais permite o movimento seguro de espécies, aumentando a resiliência dos ecossistemas. Esses exemplos mostram que as SBNs oferecem soluções práticas e eficientes, capazes de contribuir no enfrentamento dos desafios ambientais e urbanos. Cabe aos gestores municipais explorar essas possibilidades, incluindo tais soluções no planejamento urbano de nossas cidades.

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Heloísa Corrêa

Heloisa Corrêa nasceu em 9 de junho de 1993, em Candelária, no Rio Grande do Sul. Tem formação técnica em magistério e graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Trabalha em redações jornalísticas desde 2013, passando por cargos como estagiária, repórter e coordenadora de redação. Entre 2018 e 2019, teve experiência com Marketing de Conteúdo. Desde 2021, trabalha na Gazeta Grupo de Comunicações, com foco no Portal Gaz. Nessa unidade, desde fevereiro de 2023, atua como editora-executiva.

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