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ELENOR SCHNEIDER

Reflexões para um limiar

O início do ano letivo enseja algumas reflexões. Como por muito tempo estive em sala de aula, o que fiz com intensa paixão, aprendi demais a cada ano de trabalho. Tenho convicção de que o meu melhor momento, o auge da minha atividade estava no final da carreira. Ali eu estava sendo o melhor professor, tinha aprendido com as minhas carências e, principalmente, com o retorno que recebia dos alunos. “Mestre é aquele que de repente aprende”, ensina Guimarães Rosa.

Para chegar a esse ponto, vários fatores contribuíram, porém quero destacar dois: planejamento e preparação. O primeiro, pensando num semestre ou num ano inteiros; o segundo, preparando com o máximo zelo cada aula que iria ministrar. Tinha uma meta interior: tem que servir para alguma coisa, tem que fazer sentido na vida de cada um dos meus alunos. E, se assim não fosse, por que perder aquelas preciosas horas com o que não levaria a lugar algum.

A maior parte do meu tempo dediquei a aulas de língua portuguesa e várias literaturas. Chegou um momento em que descobri um programa basilar. Uma disciplina como língua portuguesa precisa lidar com quatro fundamentos: ler, escrever, falar e ouvir. Um programa assim serve para qualquer nível e qualquer disciplina.

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Ler é dar acesso ao mundo, ao conhecimento, à vida plena. Eu não sei japonês. Diante de um texto desse idioma, eu não sou nada, fico na escuridão, nada acrescento à minha vida. O professor tem nas mãos essa rica possibilidade de permanecer na história de seus alunos que o homenageiam para sempre: foi ele que me ensinou a ler. Ler pode se apresentar como exercício penoso, mas é essencial. E ler de tudo, principalmente textos da melhor qualidade. Crônicas, contos, artigos de jornal, romances, bulas de remédio, ler para se preencher, para se informar e, acima de tudo, para se formar. O próprio exercício da leitura em voz alta deve merecer muita atenção.

Da leitura pode e deve derivar o exercício de escrever. Este demanda compreensão, interpretação, reflexão. É possível propor questões como “o que diz o texto? o que não diz (e poderia ter dito)? com o que concordo? de que discordo? ele me faz lembrar…”, entre tantas mais. Escrever precisa ser exercício constante. Um corredor que não pratica sempre, com esforço e dedicação, jamais alcançará êxito numa competição de alto nível. De forma geral, qualquer proposta de redação deve ter algum sentido para o aluno, para que se sinta envolvido no assunto que vai abordar. Por que, por exemplo, um tema da aula de

História não pode ser o tema de redação da aula de Português? E ser avaliado nas duas disciplinas?
Falar é outro objetivo importante, prepara o exercício da cidadania. Fazendo uma escala mensal ou semestral, possibilitar que os alunos venham à frente e exponham um tema de seu interesse, de interesse da turma, ou sobre tema pré-determinado, ensina a superar medos, a se autoafirmar. Daqui deriva igualmente a atitude de ouvir, de escutar o outro, antes mesmo de já partir armado para um contra-ataque sem reflexão, sem argumento e sem sentido. A realidade que nos cerca mostra fartamente que estamos num mundo que não mais sabe ouvir.

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Desejo um excelente ano letivo, de preferência com a leveza necessária para o bem-estar de todos os envolvidos.

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