José Augusto Borowsky

Memória: relembre a polêmica entre Teixeirinha e o apresentador Flávio Cavalcanti

Mesmo já decorridos 40 anos de sua morte, o cantor, compositor e ator Victor Matheus Teixeira (Teixeirinha) ainda é um dos nomes mais admirados da música gaúcha. Hoje, vamos recordar da polêmica que ele viveu com o famoso apresentador de televisão Flávio Cavalcanti (1923-1986), nas décadas de 1960 e 1970.

Em 1960/61, Teixeirinha lançou a música Coração de Luto, em que contava a trágica morte de sua mãe, que sofria de epilepsia. Enquanto queimava folhas e galhos no pátio de casa, ela desmaiou e caiu sobre o fogo, morrendo queimada. A canção fez sucesso em todo o Brasil e, em 1966, foi transformada em filme.

Cavalcanti, que apresentava os programas A Grande Chance e Um Instante, Maestro!, na antiga TV Tupi, não poupava críticas à música, que foi apelidada de “Churrasquinho de Mãe”. O gaúcho retrucava nos programas que mantinha na Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, e comentava que gostaria de ficar frente a frente com Cavalcanti. Inclusive, compôs a música Língua de Trapo, para “homenagear” o apresentador.

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Em março de 1969, o artista foi convidado a participar de A Grande Chance. Ele foi bem na entrevista, mas como já era esperado, Cavalcanti arrasou com a canção, quebrou o disco e jogou no lixo. O fato impulsionou ainda mais o sucesso de Teixeirinha no Brasil. As vendas do disco batiam recordes em todos os estados e o filme faturava milhões de Cruzeiros até mesmo no exterior.

A polêmica perdurou até 1973, quando Cavalcanti e Teixeirinha selaram a paz. O apresentador foi convidado e saiu com o artista na capa do disco Num Fora de Série. Até surgiram comentários de que as divergências eram combinadas e incentivadas pela gravadora Chantecler e pela Tupi, para vender discos e aumentar a audiência da tevê.

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Em Santa Cruz, onde Teixeira trabalhou, cantou em festas, casou e tinha amigos, Flávio Cavalcanti era quase persona non grata. Nos dias de programa, quem não tinha televisor em casa corria para casa do vizinho, ou se concentrava nos bares, para acompanhar e não perder nada da briga.

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Ricardo Gais

Natural de Quarta Linha Nova Baixa, interior de Santa Cruz do Sul, Ricardo Luís Gais tem 26 anos. Antes de trabalhar na cidade, ajudou na colheita do tabaco da família. Seu primeiro emprego foi como recepcionista no Soder Hotel (2016-2019). Depois atuou como repositor de supermercado no Super Alegria (2019-2020). Entrou no ramo da comunicação em 2020. Em 2021, recebeu o prêmio Adjori/RS de Jornalismo - Menção Honrosa terceiro lugar - na categoria reportagem. Desde março de 2023, atua como jornalista multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, em Santa Cruz. Ricardo concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Ernesto Alves de Oliveira (2016) e ingressou no curso de Jornalismo em 2017/02 na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Em 2022, migrou para o curso de Jornalismo EAD, no Centro Universitário Internacional (Uninter). A previsão de conclusão do curso é para o primeiro semestre de 2025.

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