O Ministério Público solicitou à Prefeitura de Santa Cruz do Sul reconsiderar a decisão de suprimir as tipuanas que tombaram próximo à esquina com a Rua 28 de Setembro, há duas semanas. O pedido foi feito por meio de um despacho encaminhado para o prefeito Sérgio Moraes na última segunda-feira.
Nesse documento, o promotor Érico Barin sugere a adoção de medidas para preservação sem prejudicar a continuidade das obras na Rua Marechal Floriano, no trecho entre a 28 de Setembro e a Júlio de Castilhos. A orientação tem como base a manifestação do Conselho Municipal de Meio Ambiente que, na sua avaliação, foi amparada de forma robusta pela opinião de especialistas, evidenciando a possibilidade de manter os exemplares.
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“Com palavras mais claras, o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico, com amparo em opiniões de experts, apresenta meios e alternativas em defesa do patrimônio histórico, paisagístico e ambiental de Santa Cruz do Sul, e que, em última análise, também tendem a proteger o próprio Município (e gestores e servidores que, eventualmente, tenham obrado com negligência e/ou ilegalmente), pois reduzirão e/ou evitarão novos ou mais graves danos ambientais”, escreveu o promotor.
Barin também mencionou a avaliação dos especialistas como os ouvidos pela Gazeta do Sul na reportagem É possível salvar e proteger as tipuanas?, publicada na semana passada. Nela, o engenheiro agrônomo Clóvis Berger, o professor de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jorge Farias e o engenheiro Florestal Juarez Iensen Pedroso Filho defenderam a recuperação e a manutenção das espécies que se inclinaram. Ele incluiu ainda os pareceres da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santa Cruz do Sul (Seasc) e do Departamento de Ciências Florestais da UFSM.
O prazo para o Município responder ao Ministério Público se encerra hoje. Não havendo resposta, o promotor vai acionar o Poder Judiciário para a adoção de providências relacionadas às árvores.
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Laudo indica corte de raízes em pelo menos 15 árvores
A pedido do promotor Érico Barin, o Gabinete de Assessoramento Técnico (GAT) do MP realizou uma vistoria no trecho em obras da Marechal Floriano. Os técnicos constataram que houve o corte de raízes das árvores. Conforme o documento, incluído no despacho, eles foram significativos em pelo menos 15 unidades, o que resultou na “redução da estabilidade das mesmas contra ventos”.
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O parecer destaca ainda que todas as tipuanas remanescentes foram verificadas e não se observou sinais que indiquem o risco de tombamento iminente. “Entretanto, entendemos que devem ser tomadas medidas urgentes para melhorar a estabilidade das árvores e evitar novos tombamentos, pois um evento climático com fortes ventos pode resultar na queda de outras árvores”, diz o relatório do GAT.
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Para evitar que mais árvores venham a tombar, os técnicos sugerem medidas para reforçar a estabilidade e reduzir o desequilíbrio das copas. Eles também indicam a realização de podas e a retirada de galhos mortos ou danificados. Além disso, orientam a ancoragem e cabeamento entre as árvores, buscando formar um conjunto entre os troncos para dar sustentação.
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