Nos últimos dez anos, mais de 30,1 mil veículos passaram a circular pelas ruas de Santa Cruz do Sul. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) mostram que, entre 2007 e 2016, a frota do município, que tem uma das maiores concentrações de veículos por habitante do Rio Grande do Sul, cresceu 53%.
Conforme o Detran, em dezembro Santa Cruz chegou à marca de 86,6 mil veículos, a 12ª maior frota do Estado. Em 2007, eram 56,5 mil. Nesse período, a população cresceu apenas 9,4%, passando de 115,8 mil habitantes para 126,7 mil, segundo o IBGE.
Do total de veículos em circulação, quase 70 mil correspondem a carros e motocicletas. O levantamento considera apenas os veículos emplacados no município, sem considerar os de outras localidades que transitam por Santa Cruz diariamente.
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Embora a expansão da frota tenha acompanhado uma tendência geral (no Estado o crescimento chegou a 66%), o que mais chama a atenção em Santa Cruz é a relação entre frota e população, que era de um veículo para cada dois habitantes em 2007 e agora é de um veículo para cada 1,4 habitante.
Essa proporção, consequência do poder aquisitivo médio da população, supera todos os grandes centros populacionais gaúchos. Em Porto Alegre, por exemplo, o índice é de um veículo para cada 1,8 habitante. Em Viamão, chega a um veículo para cada 2,2 habitantes.
O QUE MOSTRAM OS DADOS DO DETRAN
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MUNICÍPIO FROTA CONCENTRAÇÃO*
Porto Alegre 829.539 1,8
Caxias do Sul 298.419 1,6
Pelotas 197.806 1,7
Canoas 188.938 1,8
Novo Hamburgo 154.696 1,6
Gravataí 145.921 1,8
Passo Fundo 120.701 1,6
Viamão 115.204 2,2
Rio Grande 114.829 1,8
São Leopoldo 111.319 2,0
Santa Cruz do Sul 86.609 1,4
*Proporção de habitantes por veículo
A FROTA POR TIPO EM SANTA CRUZ
Automóvel 50.964
Motocicleta 18.904
Caminhão 2.760
Reboque 3.443
Ônibus e micro-ônibus 804
Trator 131
Utilitários e caminhonetas 9.518
Outros 85
A EVOLUÇÃO DA FROTA EM SANTA CRUZ
2007 2010 2013 2016
56.502 62.834 78.798 86.609
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Em meio à crise, crescimento moderado em 2016
O crescimento no número de veículos em Santa Cruz em 2016 foi o menor da última década. Ao todo, 1,6 mil veículos passaram a circular na cidade no ano passado, um incremento de 1,9% – inferior, inclusive, à média do Estado, que foi de 2,7%, a menor em 13 anos.
Na prática, os emplacamentos começaram a perder força em 2013 e, principalmente, a partir de 2015, quando o governo federal deu fim à política de redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), o que tornou os veículos mais caros. Apenas em 2012, quando a redução passou a vigorar, 4,4 mil veículos entraram em circulação no município, um crescimento recorde de 6,4%.
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Outro fator que contribuiu para a expansão mais moderada da frota foi a recessão econômica nacional, com a restrição de acesso a crédito e a perda do poder de compra das famílias. Já em 2015, ano em que a crise se aprofundou, o aumento foi de 2,8%.
Especialista alerta: é preciso planejamento
Enquanto a frota de Santa Cruz disparou na última década, a infraestrutura do município pouco mudou. Para o especialista em trânsito Luiz Hoffmeister, sintomas da elevada concentração de veículos já podem ser sentidos no dia a dia do trânsito. Um deles é a falta de vagas de estacionamento nas ruas centrais, que é queixa generalizada entre os motoristas. Outro são os congestionamentos nas ligações entre algumas regiões da cidade e o Centro. “É o que aconteceu em Linha Santa Cruz. Com os loteamentos que foram construídos, acabou se tornando necessária a construção de um viaduto no Trevo Fritz e Frida. O mesmo pode acontecer na região de Linha João Alves”, observou.
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Conforme Hoffmeister, a situação aponta para a necessidade de um planejamento de mobilidade a longo prazo. “Uma das questões fundamentais é dar melhores condições para que as pessoas deem preferência ao transporte coletivo”, acrescentou.
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