Romar Beling

Romar Beling: “Duas tipuanas foram suprimidas, e ninguém duvida que sejam as primeiras de várias”

Leitores que acompanham a Gazeta do Sul certamente conferiram texto de minha autoria na edição do final de semana, na página 2. Abordei a necessidade de gestão dos recursos florestais de Santa Cruz (afinal um imenso patrimônio público, como é não só aqui, mas em qualquer lugar do planeta; um bem enquanto existe, vale advertir, e não quando… caiu). Citei o fato de duas tipuanas do Túnel da Floriano, esquina com a 28, à direita de quem desce, terem sido mutiladas pois se inclinaram em virtude da escavação e do corte de suas raízes. Cito a última frase do primeiro parágrafo: “Duas foram suprimidas, e ninguém duvida que sejam as primeiras de várias”.

Nessa segunda-feira, 17, à tarde, por volta das 17 horas, encontrava-me naquelas imediações quando circulou, que nem rastilho, a notícia de que mais duas, vizinhas das anteriores, haviam se inclinado. Cheguei em segundos ao local, e fui um dos primeiros a testemunhar a cena. Um mundo em queda livre, que nunca mais será como uma vez foi. E que, obviamente, será muito, muito pior.

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Sou filho de um casal de agricultores, que, ao longo de sua vida, plantaram milhares de árvores. Alguns milhares eu próprio ajudei a plantar e a cuidar. Tudo para frisar que de árvore entendo, sendo um dos temas sobre os quais mais li. Estão aí os engenheiros florestais Juarez Pedroso, da Afubra, e Jorge Farias, da UFSM, para o atestarem. Com meus pais, com Pedroso e Farias, com a Daniela, e com outros seres humanos dignos desse nome, como o geólogo José Alberto Wenzel, aprendi que, ou lidamos com mais rigor contra devastadores e depredadores, sejam eles quem forem, ou cairemos, enquanto civilização, exatamente que nem as tipuanas.

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Na edição desta terça-feira, 18, da Gazeta do Sul, na página 2, o leitor Rudinei Kopp assina texto cujo título é Cidades ridículas. É hora de pensar coletivamente sobre o que leva a se enquadrar no conceito, e não deve ser nada legal ser reconhecido como tal. Depois do que testemunhei nessa segunda, e do que ouvi, em público, nos bastidores, confesso que já não guardo ilusões. Apostaria boa parte das minhas fichas de que cairão, e bem mais rápido do que se pensa, quase todas, se não todas.

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Ricardo Gais

Natural de Quarta Linha Nova Baixa, interior de Santa Cruz do Sul, Ricardo Luís Gais tem 26 anos. Antes de trabalhar na cidade, ajudou na colheita do tabaco da família. Seu primeiro emprego foi como recepcionista no Soder Hotel (2016-2019). Depois atuou como repositor de supermercado no Super Alegria (2019-2020). Entrou no ramo da comunicação em 2020. Em 2021, recebeu o prêmio Adjori/RS de Jornalismo - Menção Honrosa terceiro lugar - na categoria reportagem. Desde março de 2023, atua como jornalista multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, em Santa Cruz. Ricardo concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Ernesto Alves de Oliveira (2016) e ingressou no curso de Jornalismo em 2017/02 na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Em 2022, migrou para o curso de Jornalismo EAD, no Centro Universitário Internacional (Uninter). A previsão de conclusão do curso é para o primeiro semestre de 2025.

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