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FINANÇAS

Com tabela SUS defasada, hospitais recorrem a emendas parlamentares; entenda

Foto: Albus Produtora

Projeção é de que o déficit do HSC, somente em 2025, aproxime-se de R$ 9 milhões

Projeção é de que o déficit do HSC, somente em 2025, aproxime-se de R$ 9 milhões

A situação financeira é motivo de preocupação para os gestores de hospitais que prestam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos exemplos é o Hospital Santa Cruz (HSC), que tem previsão de déficit (quando a despesa é maior do que a receita) de R$ 9 milhões em 2025. Apesar de alto, o valor ainda é bem menor do que a média que vinha sendo apresentada, por volta dos R$ 15 milhões. A solução é buscar emendas parlamentares.

Nesta semana, uma comitiva do HSC esteve em Brasília para captar mais repasses por meio desse mecanismo disponibilizado para os deputados. De acordo com diretor da instituição, Rolf Molz, o HSC é altamente dependente da emendas parlamentares. “Fecharia, anualmente, no negativo”, frisa.

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O principal motivo para essa situação é o congelamento dos valores pagos pelos serviços prestados via SUS. Eles representam 85% dos atendimentos realizados pela casa de saúde e não sofrem reajuste há décadas. Defasados, não cobrem os custos, e os 15% feitos por outros convênios e particulares não são suficientes para bancar a estrutura.

O déficit do HSC, explica Molz, já foi de R$ 18 milhões ao ano, tendo tido resultado atípico em 2024, quando houve maior repasse de recursos, em função das consequências da catástrofe ambiental que atingiu o Estado. Dessa forma, o déficit foi de R$ 3,5 milhões.

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De acordo com o diretor, não há um setor em especial que seja o maior motivador dos números ruins. “A defasagem é generalizada, mas muito percebida em setores como materno-infantil, traumatologia e cardiologia, porque há uma demanda muito grande”, explica.

O segmento de hospitais não projeta alterações nos valores pagos pelo poder público pelos serviços prestados para o SUS. Assim, a solução é buscar parcerias com entes federativos como municípios e estados, além das emendas. “Estamos fazendo trabalho interno para conseguir minimizar esse déficit”, comenta Molz.

SUS é apontado como gargalo financeiro

A manutenção financeira dos hospitais que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido abordada pela Comissão Especial para Analisar a Equidade nos Serviços Hospitalares do Rio Grande do Sul, presidida pelo deputado Cláudio Tatsch (PL) na Assembleia Legislativa. Nesta semana, ele cumpre roteiro de visita técnica a instituições de saúde dos vales do Taquari e Rio Pardo.

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Deputado Tatsch estará em Santa Cruz

Nessa quinta-feira, 27, a comitiva esteve no Hospital São Sebastião Mártir, em Venâncio Aires, e participou de audiência pública na Câmara venâncio-airense. O encerramento dos encontros será nesta sexta-feira, 28, pela manhã, nos hospitais Monte Alverne e Santa Cruz. Também foram visitados Bom Retiro do Sul, Cruzeiro do Sul, Estrela e Lajeado, no Vale do Taquari.

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Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9, o deputado destacou que está sendo feito pente-fino em todos os serviços prestados para o SUS, quanto os hospitais recebem e o quanto realmente custam. “Os resultados são alarmantes”, enfatizou. Para uma consulta com especialista, afirma, o SUS repassa R$ 10,00; em um parto normal sem contratempos o hospital recebe, de acordo com Tatsch, entre R$ 700,00 e R$ 800,00, mas o custo fica entre R$ 2,8 mil e R$ 3 mil. “O resto fica por responsabilidade do hospital buscar o equilíbrio”, alertou.

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Diante dessa situação, reconhece Tatsch, as casas de saúde buscam as emendas parlamentares. E aqueles valores, que seriam para a implementação de novos serviços, são destinados para o equilíbrio da tabela SUS, que há décadas não é atualizada. “O repasse do SUS é o gargalo dos hospitais atualmente”, avaliou o parlamentar.

O problema aumenta conforme a demanda pelo trabalho prestado nas instituições. O deputado disse que o hospital que atender a partir de 72% via SUS está fadado a falir. Exemplificou citando o valor pago pela diária de quem passa por cirurgia e precisa continuar internado. São R$ 32,00 por dia. “Não paga a alimentação”, ressalta.

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A intenção da comissão especial da Assembleia Legislativa é fazer com que seja criado o SUS Gaúcho, seguindo modelo que já fora implementado em São Paulo, um mecanismo que possa equilibrar a defasagem da tabela SUS nacional. “Com a tabela atual não tem como atuar. Se colocar um hospital a trabalhar a todo o vapor, fecha em 30 dias”, destacou.

Modelo de São Paulo será indicado para o Rio Grande

O deputado Cláudio Tatsch adiantou que a intenção da comissão é chegar ao fim dos encontros e sugerir a adoção de um mecanismo semelhante ao que foi empregado em São Paulo. Eles regionalizaram a saúde, concentraram todos os incentivos e colocaram na Tabela Paulista, passando a trabalhar com pagamento por produção.

No dia 10 de abril, o secretário de Saúde paulista, Eleuses Paiva, estará em audiência pública no Rio Grande do Sul. Falará sobre como conseguiram implantar o mecanismo. “No final, a comissão fará a indicação para a implantação de um modelo adaptado à realidade do Rio Grande do Sul”, antecipou Tatsch.

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O secretário Paiva abordará o funcionamento do SUS em São Paulo, onde os valores pagos por serviços prestados pelo governo federal são complementados pelo Estado. Chamado de Tabela SUS Paulista, o valor extra repassado aos hospitais é uma das possibilidades que o deputado cogita.

“É preciso saber o estrago real que a tabela SUS faz a cada instituição”, frisou o deputado. Conforme seus cálculos, com base nas informações que têm recebido das casas de saúde, dificilmente baixe de R$ 1 milhão por mês em hospitais de média e alta complexidade.

Tatsch ainda alertou sobre a necessidade de que seja realizado um pente-fino na fila por espera de cirurgias e atendimentos. “Tem muita gente que já fez fora, e tem muita gente para quem, infelizmente, não deu tempo”, alerta.

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