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OPINIÃO

Ulisses Da Motta: “Dia 4 – Chegamos ao final”

Vamos analisar os curtas exibidos nesta quinta-feira, 27:

O Abraço (direção de Gabriel Motta): o gaúcho Gabriel Motta é um cineasta que transita facilmente entre gêneros e estéticas cinematográficos diversos, costumeiramente fazendo uma pontuação de fantasia nos seus trabalhos. O Abraço é abertamente um filme de horror, que eu já tinha assistido e do qual gosto muito. Tem uma atmosfera que conversa com vários filmes de terror contemporâneos, como A Bruxa (de Robert Eggers). Filmado na Hungria e falado em húngaro, cria uma ambientação exótica – e tenebrosa – para nossos olhos brasileiros. Os efeitos visuais são destaque junto com a fotografia.

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Meu Nome é Maalum (direção de Luísa Copetti): uma animação esfuziante no lindo design e na potência musical – aliás, a trilha original composta por Maíra de Freitas é a melhor do Festival e torço por prêmio para ela. Baseada num livro homônimo, a história é uma das várias dos últimos anos que objetivam cimentar nas crianças negras o orgulho da sua ancestralidade, que aos poucos vai sendo resgatada. É uma animação para os pequenos, com um design elaborado, elegante e colorido. 

Possa Poder (direção de Victor Di Marco e Márcio Picoli): o título faz jus à obra. O que se vê na tela é algo potente – não somente em termos de representação, mas também em visual e conceito. A dupla de realizadores Victor Di Marco (que também atua) e Márcio Picoli sabe criar um produto bastante intelectualizado e que atrai as curadorias de festivais pela sua potência. Dá para se alongar muito falando das três personagens de corpos e afetos à margem das normatividades sociais, mas eu prefiro resumir na beleza que é a cena do trio no banheiro, silenciosa, estática e de composição visual perfeita.

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O Elemento Tinta (direção de Luiz Maudonnet e Iuri Salles): fico imaginando este doc sendo mostrado fora de um ambiente universitário, para um público mais amplo, nesse Brasil que vivemos agora. Talvez recebesse uma audiência dividida e reagindo com o mesmo som e fúria impregnados em sua projeção. Há ira e gana nos pixadores paulistas que se manifestam contra as políticas públicas durante a pandemia, devidamente amplificadas por uma montagem alucinante e feérica. Quem está imune ao discurso vai reclamar imediatamente de ser uma produção do The Intercept Brasil. Todo o estrondo talvez só converse com os convertidos e a mensagem – que precisa ser reiterada – atinja infelizmente apenas os ouvidos que já concordam com ela.  

Só Mais uma Frase (direção de Giulia Bertolli): este curta se assemelha muito a um produto para a TV aberta. Aliás, parece até o piloto de algum seriado ou quadro de um programa maior. Não pelo fato de ter rostos globais no elenco – o que certamente ajuda nessa sensação. Mas especialmente pelo texto e pela estética verborrágica, onde tudo é resolvido em falas velozes e incessantes. A técnica profissionalizada dos atores ajuda que esse desaguar de texto seja bem pronunciado. A direção tenta escapar da armadilha da estética televisiva investindo numa nervosa câmera na mão; entretanto, a execução é atabalhoada, com quebras de eixo e cortes deselegantes. Como já disse antes, menos é mais.

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Poder Falar (direção de Evandro Manchini): esse filme confessional, mezzo documentário, mezzo performance, lembra-nos de um problema atual: falamos pouco sobre a Aids. A ciência já sabe muito sobre a doença. Porém, o medo e a vergonha cada vez maiores no seio da nossa sociedade fazem com que essas informações não cheguem aos cidadãos. Resultado: a doença permanece tabu. O filme brinca de reiterar e sublinhar mensagens necessárias com uma linguagem minimalista, porém muito moderna. A frase que ressoa é a que vem no final, que transcende a temática: “toda arte é uma vitória sobre a morte”. Sabedoria para lavar a alma e para levar a vida.

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